REVOLUÇÃO
Um dos maiores recursos  de comunicação da comunidade universitária, atualmente, está parado. Trata-se da UFM, a rádio universitária, localizada no DCE e em funcionamento desde o final de 98. Composta em sua maioria por alunos do curso de Jornalismo e com uma programação que começava a se estruturar, a UFM foi  parada, primeiramente por problemas técnicos e em seguida pela ANATEL ( Agência Nacional de Telecomunicações ), que paralisou todas as RadCom´s do Estado com ameaça de recolhimento do material técnico, caso seja descumprida a orientação.

A fim de sabermos  um pouco mais sobre a UFM e quais as suas maiores dificuldades, procuramos o Diretor de comunicação social da rádio, Ricardo Aristeu.


“ ... as rádios comerciais se sentem ameaçadas pelas RadCom´s, pois somos mais populares...”


Revolução – Como surgiu a UFM ?

Aristeu – A UFM surgiu como idéia em 1997, porém não tinha estrutura, nem projeto, funcionava sem programação fixa. Já em 98, retomamos a proposta e seguimos atrás de recursos. A FUNPEC (Fundação Nacional de Pesquisas Científicas ) é o órgão que está nos apoiando.

Revolução – Quais são os objetivos da rádio ?

Aristeu – Prestar um serviço a comunidade universitária em termos de informação e entretenimento. Principalmente oferecer , de fato, um laboratório de radiojornalismo para os alunos de Comunicação.

Revolução – Qual o tipo de programação oferecida a comunidade universitária ?

Aristeu – Nós seguimos o modelo comercial, com músicas e programas temáticos semanais, apesar de operar em horários específicos.

Revolução – O que diferencia uma rádio comunitária de uma   comercial ?

Aristeu – As RadCom´s são muito restritas, por exemplo, a antena não pode ultrapassar 30 metros, o transmissor é de até 25W, o alcance de ser de apenas 1 km, não podemos passar comerciais e deve ser de utilidade para a comunidade, uma prestadora de serviços. No nosso caso, à comunidade acadêmica.

Revolução – Por que a UFM  está fora do ar ?

Aristeu – Estamos proibídos pela ANATEL, pelo fato de ser um rádio comunitária, aliás, pelo que eu saiba,  todas as RadCom´s estão proibídas.

Revolução – E qual a solução ?

Aristeu – Estamos aguardando  a orientação final da ABRASC ( Associação Brasileira das Rádios Comunitárias ). O presidente da ABRASC/RN já falou que deveríamos entrar no ar logo e depois resolveríamos a questão judicial, até mesmo porque fora do ar não teremos o apoio da comunidade, o nosso público tem que existir para lutarmos pela nossa rádio.

Revolução – A UFM tem alguma ligação com o sindicato dos radialistas ?

Aristeu – Não, estamos ligados somente à ABRASC, até mesmo porque as rádios comerciais se sentem ameaçadas pelas RadCom´s, pois somos  mais populares, estamos inseridos na comunidade e conhecemos seus problemas. Há uma identificação maior com o ouvinte. Quem sabe daqui a dois ou três anos poderemos ter não só rádios, mas também  TV´s comunitárias ?


Em busca de maiores informações sobre o  problema da paralisação das RadCom´s, procuramos o sindicato dos radialistas, que também nos falou um pouco sobre a indicação do sindicato como uma das maiores barreiras à formação da especialização em radiojornalismo no curso de Comunicação Social da UFRN ( indicação feita por alguns professores do curso ).

Segundo o depoimento do Sr. Leonardo César, diretor Social do Sindicato, a paralisação das rádios comunitárias é decorrente do engavetamento do Decreto Nº 2.615 que regulamentava as RadCom´s e estabelecia uma frequência única para todas, a qual seria a 88.8 MHz ,com o alcance de 1km. Porém, pressões de  rádios comercias para a não efetivação da lei e alguns descumprimentos por parte de determinadas rádios comunitárias à regras, como a não divulgação de comerciais, fizeram com que o processo de viabilização fosse estagnado. Em relação a uma possível objeção do sindicato a criação de uma habilitação em radiojornalismo no curso de Comunicação Social da UFRN, o sindicato diz não haver nenhuma medida contra essa criação, até enfatizam a importância da formação acadêmica para o profissional de rádio, porém,  “rádio também é uma questão de sangue” e levando-se em consideração a atual situação da educação no país, essa não seria uma “hora oportuna” para a criação dessa habilitação, pois impossibilitaria muitas pessoas de entrarem na área, caso essa habilitação tornar-se pré-requisito no mercado.

A realidade é que estamos inseridos em uma estrutura confusa e cheia de interesses múltiplos. É o caso do Decreto Nº 2.615, de 3 de Junho de 1998, assinado pelo Presidente da República, regulamentando o funcionamento das rádios comunitárias em todo o Brasil , desde que estivessem dentro dos padrões pré-determinados de funcionamento. Em menos de 1 ano já temos uma lei sem valia, em função de causas comerciais. Outro exemplo dessa complexa rede de interesses é o trabalho que está sendo realizado para a formação da FMU, a FM Universitária que terá um caráter comercial. É tudo tão paradoxal ! a rádio que serviria de laboratório para os estudantes do curso de Jornalismo está impossibilitada de funcionar, enquanto surge uma FM potente dentro de uma mesma Instituição. Resta-nos saber se as ondas dos interesses comerciais continuarão a ter a maior potência, o maior alcance ou se podemos mudar essa velha frequência através da nossa voz, das nossas palavras e ações.


INÍCIO